Ontem (15/06/2026), um laboratório farmacêutico nacional colocou no mercado a Semaglutida nacional. A caneta emagrecedora, agora com preços muito mais baixos, entra de vez em grande parte dos lares brasileiros.
O mercado mundial dessas canetas (chamadas GLP-1), chegou a US$ 64 bilhões em 2025 e a aposta é que passe de US$ 170 bilhões em 2033, crescendo 13% ao ano.
A tendência mexe com o consumo de diversos setores da economia, segundo especialistas.
Quando uma pessoa se sente saciada pela aplicação da Semaglutida, ela come menos e bebe menos. Quando o consumo dessas canetas é em massa, altera o mercado alimentício.
Mas não é só isso. O mercado de aplicativos de entrega se altera. A moda plus size vende menos. Volume de cirurgias bariátricas cai. E muito outros segmentos sentem essa mudança. Alguns para mais, outros para menos, como em qualquer mudança.
Especificamente para o mercado de alimentos, que é nosso caso, o mercado tende a valorizar produtos mais elaborados, saudáveis e saborosos, além da valorização de sua origem.
A compra de alimentos por impulso, deixa de ser a lógica do consumo. Em vez disso, a menor frequência, porcionamento e, portanto, a maior seletividade na compra será o novo normal. Saem ultra processados e consumo exagerado de álcool, entram proteinas, alimentos frescos, minimamente e processados com qualidade.
A entrada desta caneta na vida de milhões de brasileiros, portanto, redefine não só a saúde das pessoas (inclusive menor internações por doenças relacionadas à obesidade e má alimentação), mas a relação de consumo dessas pessoas.
Esse novo comportamento de consumo de alimentos e bebidas mudou! É preciso que, já dentro da porteira das fazendas, a cadeia produtiva entenda este novo comportamento que surge e possamos atender plenamente este consumidor, ávido por alimentos saudáveis, funcionais, mais porcionados, saborosos e com proposito forte que decide a compra por esse novo consumidor. Embalagens, posicionamento de produtos, comunicação forte e serviços diferenciados, também fazem parte desta mudança.
A aposta é que, produtos locais, com forte relação com seus territórios, muitas vezes detentores de IGs e produção responsável e com qualidade de ponta a ponta, também sejam os queridinhos das gôndolas daqui por diante.
Finalmente, o mercado premiará a cadeia que melhor souber produzir, comunicar benefícios e entender o novo consumidor do século 21, que tem saciedade por segurança alimentar, valorização das cadeias alimentares serias, proposito de vida e alimentação saudável. E não mais apenas pelo impulso em comer. Afinal, consumir alimentos não é como comprar blusinhas pela internet.
